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Uma cidade, um homem, uma divisão

O novo livro de J.K. Rowling a reconduz aos holofotes literários em um cenário inédito: o público adulto como alvo direto. Quem cresceu acompanhando Harry Potter já deixou a infância para trás e não podia ficar mais satisfeito do que com essa nova vertente de sua autora favorita. Para conhecer melhor este retrato aguçado que J.K. Rowling fez ao cotidiano britânico, leia a resenha de Natallie Alcantara, e dê sua opinião sobre o lançamento mais aguardado de 2012.

Dicas: 

“Morte Súbita”, de J.K. Rowling

Tempo: para ler de um tiro só no fim de semana.
Finalidade: para pensar.
Restrição: para quem não gosta de perder tempo com longas descrições.
Princípios ativos: ficção, Inglaterra, vilarejo, crítica social, intriga.

Em uma cidade pacata, uma morte inesperada faz com que as pessoas comecem a mostrar o pior lado de suas personalidades. As máscaras de polidez e boas maneiras são jogadas para o alto. Intrigas políticas, sexo, drogas, sentimentos desencontrados, críticas a sociedade, personagens marginalizados formam a complexidade da vida no idílico vilarejo de Pagford.

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Na noite do seu aniversário de casamento, Barry Fairbrother cai morto na frente da esposa e de todos os freqüentadores do clube que, aquela hora da noite, estavam jantando e se divertindo no local. No dia seguinte, a notícia já correu toda a pequena cidade de Pagford: um dos conselheiros mais importantes havia morrido, e o choque para muitos é grande, enquanto para outros, a morte de Barry pode ser considerada até bem vinda. É o caso de Howard Mollison, que vê na nova situação uma chance de “devolver” definitivamente o bairro de Fields a Yarvil e de fechar a clínica de reabilitação para dependência química que atende, na maioria, pessoas de Fields, além do fato de a escola local ter que aceitar alunos de caráter duvidoso, também originários de Fields. A morte de Barry deixa a briga mais acirrada, já que seus partidários defendem a permanência da clínica, enquanto o lado oposto, liderado por Howard, seu opositor mais ferrenho, defende o contrário. A partir daí, a vida dos moradores de Pagford e Yarvil é mostrada nas figuras de, não somente, mas principalmente, Krystal, Bola e Andrew, adolescentes com seus próprios problemas que, de uma forma ou outra, têm a vida afetada pela morte de Barry.

 Não posso dizer que foi uma leitura fácil. Li mais da metade do livro em um dia, principalmente porque queria saber qual era o tal clímax da história. Infelizmente, não consegui perceber nenhum. Os personagens não são marcantes, pelo menos não da forma que como o leitor está habituado nas histórias de Rowling, mas a história segue os moldes já conhecidos pelos fãs da autora: todos eles têm um lado obscuro que vem à tona no pior momento; existe uma história e um motivo que justifica suas personalidades egoístas. Um ponto negativo: o enredo falha quando começa a se alongar. Mesmo não se perdendo em detalhes, a história se arrasta demais ao longo de mais da metade do livro, e só começa a melhorar nas últimas partes. Mesmo assim, vale a pena ler porque, como sempre, Rowling consegue surpreender o leitor.

Resenhado por Natallie Alcantara  

 

501 páginas, Editora Nova Fronteira, publicado em 2012.

*Título original: The Casual Vacancy.

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Comentários

  1. Rodrigo Slytherin disse:

    Eu também tentei achar o clímax do livro, mas quando percebi que não existia, comecei a gostar mais ainda da leitura. O motivo? Simples: a vida real, a nossa vida real, cheia de problemas, dificilmente vai ter um clímax. Normalmente existem apenas os problemas, e de vez em quando as soluções que não são nada heróicas ou incríveis como na ficção.

  2. Fabiana disse:

    Morte súbita me surpreendeu,quando fui ler eu sabia que esse livro não ia me decepcionar porque afinal estamos falando da nossa rainha Jo e com certeza ela não iria decepcionar haha!
    e concordo com o Rodrigo,nesse livro mostra a pura realidade,com críticas e com personagens “problemáticos” cada um com seus motivos e problemas…Jo cumpriu com a sua tarefa hahaha!!!

  3. Thiago disse:

    Realmente a história não tem um clímax definido, mas essa é uma das razões por ficarmos cativados com a ela. Penso que há um clímax em pelo menos uma parte da história de cada personagem, o que exclui a necessidade de um principal. Como foi dito, é uma história real, nem todos estão tão envolvidos em uma mesma causa para que sejam afetados por ela. Enfim, o livro é maravilhoso.

  4. Amargo Snape disse:

    MS, The Best.

  5. Laís disse:

    Eu também tentei acha o clímax do livro, é só fiquei mais empolgada nos capítulos finais. ADOREI o modo como a Jo narrou a história, “mudando de personagem” a cada alguns parágrafos! Achei surpreendente e o livro me fez refletir bastante sobre a sociedade em que vivemos. é o tipo de livro que vc acaba de ler e fica olhando pra frente, pensando.

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