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[Resenha] Lágrimas da epidemia

Nota do resenhista
Uma fã de Harry Potter, Jogos Vorazes, Adele e Bruno Mars decidiu escrever um livro. Assim surge “A outra Vida”. Com um tema já bem abordado, epidemias fora do controle, esse livro tem como diferencial uma narrativa leve. Sherry e Joshua se conheceram numa situação nada casual, a vida dela estava prestes a ser tomada por uma das criaturas vítimas da raiva, os Chorões, que haviam capturado seu pai. Juntos, eles procuram resgatar o pai de Sherry e descobrem que talvez haja uma maneira de por fim a essa vida de fugas e recuperar a outra vida.



   Tempo: Para ler de um tiro só no final de semana.

   Finalidade: Para voltar a ter medo do escuro, esperando que um Chorão te ataque.

   Restrição: Para quem não suporta livros de ficção ou tem claustrofobia

   Princípios ativos: Raiva, epidemia, sobrevivência, monstros.




A outra vida, de Susanne Winnacker

Tédio. Talvez você pense que sabe o que é isso. Mas, não. Você não sabe. Ao menos que tenha passado três anos, um mês, uma semana e seis dias num refúgio subterrâneo com seus pais brigando o tempo todo, seu irmão chato de treze anos, sua irmã menor, uma avó que não para de tricotar e um avô morto, no freezer.

“Mil cento e trinta e nove dias sem ouvir a voz de meus amigos, desde que vi o céu pela última vez”

Essa era a vida de Sherry e de muitas pessoas desde que Los Angeles e outras cidades da América do Norte foram tomadas por uma epidemia de raiva. Todos foram orientados a permanecer em abrigos subterrâneos até que os militares estivessem com tudo sobre controle e não houvesse mais risco de infecção. O problema é que três anos já haviam se passado e a mesma mensagem gravada aparecia sempre na TV, nenhuma novidade, nenhuma notícia encorajadora que sinalizasse o fim daquele tormento.
Para piorar a situação a comida estava acabando. Contra a vontade de sua mãe, mas movida pela necessidade de salvar a família e a oportunidade de sentir o calor do sol mais uma vez, Sherry e seu pai decidem sair em busca de alimento. Contudo, a primeira visão fora do abrigo é assustadora. A cidade fora bombardeada, o centro estava parcialmente destruído, assim como algumas casas da rua, com seus jardins abandonados, carros cobertos de cinzas e corpos. Dois corpos com sinais de mordidas em decomposição na calçada.

“Os subúrbios de Los Angeles estavam desertos. Nenhum carro nas ruas. Nenhuma fumaça. Nenhuma pessoa.”

Sabendo que estão em constante perigo e reunindo toda coragem, eles seguem de carro até o costumeiro caminho ao supermercado mais próximo e encontram, além de prateleiras derrubadas e alguns alimentos espalhados, duas criaturas horríveis, famintas e fatais. Os Chorões, como são chamados por lacrimejarem um líquido nojento, são pessoas infectadas pelo vírus da raiva e que passaram por um processo de mutação, transformando-se em verdadeiros monstros.

“Os Chorões não eram nem seres humanos nem animais. Eram alguma outra coisa. Alguma coisa errada.”

Uma única mordida e o vírus é transmitido, podendo a pessoa morrer imediatamente, se tornar um Chorão, ou ser imune. Sherry, é claro, não queria contar com a terceira opção. Porém, o nervosismo afetou sua mira e ela foi incapaz de impedir que seu pai fosse capturado. Por sorte, o jovem Joshua ouve os tiros e chega a tempo de tirá-la daquela situação, levando-a para o Refúgio, onde estão outros sobreviventes.

“Já vi cachorros com raiva, e eles ficam muito agressivos e fora de si, mas continuam sendo cachorros. A raiva não muda o que são. Mas esse vírus transforma por completo suas vítimas em alguma outra coisa.”

Com a ajuda de Joshua, Sherry transfere sua família para esse abrigo mais seguro e, bastante armado, inicia a perigosa caçada pelo seu pai, ou o que poderia ter sobrado dele. Manter-se a salvo não era seu único objetivo. Ela, Joshua e os demais sobreviventes querem encontrar a cura e recuperar a outra vida. Aquela que lhes foi tirada por causa da grande epidemia, um experimento científico que saiu do controle. Seriam eles um dos poucos grupos de sobreviventes ou uma parcela da população isolada para testes com fins militares?

“Não dá pra viver desse jeito para sempre. Procurando comida e gasolina, caçando Chorões… Tudo fica sem sentido depois de algum tempo.”

“A outra Vida” é um livro de leitura fácil e agradável, com momentos tensos, eletrizantes e românticos na medida certa. Os capítulos são alternados entre pequenas lembranças da outra vida de Sherry, o que é bem interessante. O final, como era de se esperar, deixou aquele gostinho de “quero mais” e um ótimo gancho para continuação, que seria bastante apropriado, assim como uma adaptação cinematográfica.

“A força da mente é o que diferencia os sobreviventes das vítimas.”

Resenhado por [Rafael Duarte]

270 páginas, Editora Novo Conceito, publicado em 2013.
*Título Original: The other life.

Comentários

  1. Pedro Martins disse:

    Nunca li livros desse gênero, mas a sua resenha fez eu me interessar, estou quase incluindo o livro na minha lista infinita de livros a serem lidos AHUAUHAUU

  2. Parabéns pela resenha. Bastante esclarecedora. Bom, eu gostei do enredo e acho que leria esse livro, apesar de não ser o meu gênero favorito. Algo na história atiça a minha curiosidade. Quem sabe um dia eu possa fazer essa leitura e tirar minhas próprias conclusões.

    Abraço!

    • Rafael Duarte disse:

      Há também muito mistério na história, Ygo. Espero que retorne e compartilhe sua opinião após a leitura. Muito obrigado pelo comentário.

      Abraço!

  3. Lucas Moreno disse:

    Eu gostei bastante da resenha também. Porém não fui muito feliz em relação ao livro. Gosto muito do gênero, mas não consegui me simpatizar muito pela Sherry e pelo que ela viveu nessa história. Independente disso, a leitura é realmente bem rápida e fácil.

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