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Da queda dos anjos ao crepúsculo do mundo

Se o Brasil tem um grande motivo para se orgulhar é do crescente desenvolvimento da ficção de qualidade em sua literatura. Cada vez mais vem surgindo jovens com talento comparável aos grandes mestres do gênero fantástico para integrar a lista dos nossos bons escritores.

Hoje trazemos um destaque notável dessa lista às Resenhas do Ish: Eduardo Spohr, com sua consistente narrativa sobre o ápice do embate celestial A Batalha do Apocalipse. Leia a resenha do nosso estreante Rodrigo Oliveira e dê sua opinião sobre a ascensão da ficção brasileira de fantasia nos comentários!

 DICA: Aproveite e não deixe de participar da promoção do livro A Fada, primeira obra em nova edição da romancista – e integrante do Ish – Carolina Munhóz, ganhadora do Prêmio Jovem Escritor 2011 e Destaque Literário 2012!

“A Batalha do Apocalipse”, de Eduardo Spohr

Tempo: para ler de pouco a pouco em intervalos durante a semana.
Finalidade: para ficar na ponta da cadeira.
Restrição: para quem tem dificuldade com pontos de vista alternativos.
Princípios ativos: Anjos, Apocalipse, Guerra, Religião, Ficção Fantástica.


Quando Deus parte para seu merecido descanso no Sétimo Dia da Criação, os arcanjos assumem o papel de governar o céu e a terra até que Ele desperte. Entretanto, enciumados com a dádiva que o Senhor concedeu para os humanos – alma dotada de livre-arbítrio –, eles decidem pôr fim a raça dos homens através de grandes catástrofes, mas não obtiveram sucesso. Ao ver tantas mortes, destruição e injustiça, um grupo de celestiais se revoltou contra a tirania dos arcanjos, mas foram denunciados pelo arcanjo Lúcifer – que tempos mais tarde pôs em prática sua própria revolta contra seus irmãos –, sendo assim derrotados e banidos para a Haled (a Terra).

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O herói da história é Ablon, o Anjo Renegado, que é um dos anjos condenados a vagar pela Haled até o dia do Apocalipse. Em uma de suas viagens pela Terra, ele conhece Shamira, a Feiticeira de En-Dor. Juntos – e às vezes separados – eles participam de várias aventuras perigosas e emocionantes, como, por exemplo, a visita de Ablon ao inferno, morada do temido Lúcifer.

O dia do Apocalipse é marcado por uma batalha sangrenta entre os celestiais, um embate extraordinário digno de um bom livro de ficção. Porém, um dos pontos fortes do livro é que a realidade não é totalmente deixada de lado. Na leitura, vemos que, embora gigantescas catástrofes não tenham conseguido seu intento de dizimar a raça humana, a própria humanidade seria a responsável pela sua destruição através da terceira Grande Guerra: uma impactante e mortal guerra nuclear.

Os extensos flashbacks, que ocupam muitas páginas em vários momentos da narração, talvez sejam, para alguns, o principal defeito do livro. No entanto, a presença dos flashbacks é indispensável para uma melhor compreensão e um melhor envolvimento do leitor com a história.

Eduardo Spohr escreveu um épico livro da literatura ficcional brasileira. Seu estilo detalhista, comparado, por alguns, com o de J.R.R. Tolkien, nos conecta perfeitamente ao enredo. Transporta-nos através da história da humanidade, em uma narração fantástica. Com um início um pouco complicado, um desenvolvimento bem traçado e um final inesperado, A Batalha do Apocalipse é um livro extremamente recomendável.

Resenhado Por Rodrigo Oliveira

586 páginas, Verus Editora, publicado em 2010.

Publicado originalmente em 2007.

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