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Entre ratos, morcegos e baratas

 

Uma garotinha cai num buraco, seu irmão vai atrás e ambos acabam indo parar num mundo diferente do que conhecem. Uma introdução que pode ser familiar para alguns, mas ao invés do País das Maravilhas, o que a garotinha e seu irmão encontram é um mundo subterrâneo onde as baratas são gigantes, os morcegos atuam como cavalos falantes, os ratos são os vilões e os seres humanos têm olhos violetas e cabelos brilhantes. Todos falando de um jeito, digamos… fofo. Bem vindos às aventuras de Gregor. Uma história inspirada em Alice e suas aventuras no País das Maravilhas.

 O que está esperando? Leia a resenha de estreia de Marcus Siani e submerja você também neste mundo estranho e fantástico!

“Gregor, o Guerreiro da Superfície”, de Suzanne Collins

Tempo: para ler de um tiro só no final de semana.
Finalidade: para se divertir.
Restrição: para quem é claustrofóbico.
Princípios ativos: Família, Fé, Coragem, Honra, Crescimento.

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Cinco anos antes de publicar a mega super bem sucedida trilogia Jogos Vorazes , a autora norte-americana Suzanne Collins publicou a saga infanto-juvenil  As Crônicas do Subterrâneo em cinco volumes. No primeiro deles, Gregor – O Guerreiro da Superfície, nos é apresentado Gregor, um garoto que leva uma vida difícil com a mãe, irmãs e a avó inválida. Sua grande tristeza foi o desaparecimento misterioso do pai. Sem entrar em grandes detalhes para não estragar o prazer da leitura, Gregor acaba chegando num mundo subterrâneo repleto de ratos , baratas e morcegos, mas não exatamente como os conhecemos normalmente. Em meio a grandes desafios, Gregor vai ter que encarar muitos obstáculos para retornar ao seu lar e encontrar seu pai.

Aludindo à Alice no País das Maravilhas , Collins pinta em tons sombrios esse mundo hostil do subterrâneo. Além disso, utiliza-se da clássica Jornada do Herói, ao apresentar desafios a serem superados pelo protagonista, juntamente a seus amigos, com um objetivo nobre e vital para todos.

O livro, apesar da leitura clara, não flui com tanta facilidade em alguns momentos, mas em contrapartida tem seu ponto alto no protagonista. Muito bem construído pela autora, o menino é um mosaico de contradições , medos e verdades tão presentes na vida dos jovens de hoje. É gratificante ver as nuances da personalidade do menino e como ele se transforma ao longo de toda a trama.

Evitando o lugar comum hoje tão exaustivamente utilizado da narração em primeira pessoa, Collins faz uma narração sem ser impessoal e muito próxima das próprias convicções de Gregor, o que torna tudo muito verossímel por mais fantasioso que pareça. Além disso, como não se apaixonar pela fofa Boots e até não simpatizar com as baratas da história? É nessa estranheza de cenário e personagens que o livro tem seu ponto forte e principalmente nas mensagens de esperança, coragem e fé em alguma coisa que se acredita de verdade.

O desfecho tem passagens que rapidamente vão do eletrizante ao emocionante deixando obviamente um gostinho de quero mais. É uma boa pedida para aqueles que gostam de aventuras nos moldes tradicionais da já mencionada Jornada do Herói. Pelo fato de ser uma escrita de modo geral concisa, que vai direto ao ponto, pode tranquilamente ser apreciada por leitores de todas as idades. Contudo, é inegável que meninos como Gregor se identificarão de imediato com o protagonista.

Os primeiros quatro livros da saga já foram publicados pela Galera Record. O quinto e último volume da série será lançado no Brasil provavelmente no segundo semestre desse ano. Voem alto, leitores!

Resenhado por Marcus Siani

 

304 páginas, Galera Record, publicado em 2008.

Título original: “Gregor, The Overlander“, publicado originalmente em 2003.

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