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[Resenha] O herói mais trágico de Tolkien

Nota do resenhista: [rating=5] Húrin ousou desafiar, cara a cara, Morgoth, o primeiro Senhor do Escuro. Por isso, seus filhos pagaram, pois Morgoth envia seu mais poderoso e temível servo, Glaurung. Agora, as vidas dos filhos de Húrin estão enlaçadas em uma maldição que só terá fim da pior forma possível.



   Tempo: Para ler com calma.

   Finalidade:  Para ficar na ponta da cadeira.

   Restrição:  Para quem não gosta de perder tempo com longas descrições.

   Princípios ativos: Fantasia, Húrin, Terra-Média, Tragédia, Morgoth.


Os filhos de Húrin, de J.R.R. Tolkien

Em eras antigas, quando o primeiro Senhor do Escuro habitava Angband, a história dps filhos de Húrin desenrola-se sob a sombra do medo de Morgoth. Húrin é um dos maiores guerreiros humanos. Aprisionado por Morgoth ao fim das batalhas das Nirnaeth Arnoediad (As Lágrimas Incontáveis), é amaldiçoado por se recusar a trair os elfos, é acorrentado a uma cadeira num alto pico e forçado a assistir a todos os males que se abateram sobre a sua própria família.

Túrin, seu filho, é mandado por sua mãe Morwen para Doriath, reino de Thingol e Melian, e pelo rei é adotado como filho. O tempo passa, sua irmã Nienor nasce e ele cresce e se torna um guerreiro temido pelos inimigos. No entanto, Túrin sempre se incomodou com o fato de sua mãe e irmã ainda estarem longe. Num acidente, causa a morte de um dos conselheiros de Thingol. Julgando-se exilado pelo rei, ele foge e a partir daí, diversos acontecimentos nefastos o acompanham. É a manifestação da maldição de Morgoth. Ele passa a viver em vários lugares e se torna temido por muitos. Tentando manter escondida a maldição, ele assume vários nomes e acaba atraindo para si o amor de Finduilas, filha do rei Orodreth. Seu segredo é revelado por Glaurung, o dragão de Morgoth, no ataque a cidade. Hipnotizado pelo olhar do dragão, ele assiste impotente a captura de Finduilas e é levado a acreditar que sua mãe e irmã estão em perigo, quando na verdade elas já estavam seguras em Doriath. Morwen e Nienor, ao saberem da destruição de Nargothrond, partem precipitadamente em busca de Túrin, mas se perdem uma da outra e sua comitiva. Glaurung, poderoso agente da maldição de seu mestre maligno, aborda Nienor e a enfeitiça. Ela perde a memória e se põe em fuga desesperada, caindo desacordada. Enquanto isso, Túrin descobre o destino de Finduilas e passa a morar em Brethil, quando adota o nome Turambar. Ele encontra no túmulo da donzela élfica sua irmã desacordada. Sem saber de seu parentesco, cuida dela e a convivência faz com que se apaixonem e casem. Quando Glaurung volta a atacar, Túrin toma sua espada e parte para matá-lo. Quando ele consegue, o sangue de Glaurung queima sua mão, e ele desmaia, mas Nienor, agora Níniel, o encontra. Nos estertores da morte, Glaurung desfaz seu feitiço e revela a verdade. Enlouquecida pelo pesar, ela se atira no abismo. Quando Túrin acorda, encontra sua mão enfaixada, e descobrindo toda a história, atira-se sobre sua espada. Tempos depois, Morwen e Húrin encontram-se pela última vez no túmulo do filho.

Uma das histórias mais trágicas da Terra-média. Mesmo sabendo que todos os acontecimentos deviam-se a uma maldição, ainda fiquei esperando para ver alguma coisa boa… quando os irmãos se apaixonam, percebi logo que minhas esperanças eram vãs. E aceitei o fato de estar lendo um conto trágico, algo que nunca foi uma das minhas preferências (para ver o poder da escrita de Tolkien). As ilustrações do livro foram mais um fator que me levaram a comprá-lo, além do fato de que, depois de terminar a leitura de O Senhor dos Anéis, andava me consumindo para ler algo novo escrito por Tolkien (sonho com o dia que será anunciada a publicação em português dos volumes da História da Terra-média). Mesmo que a história já tenha sido apresentada superficialmente n’ O Silmarillion, valeu a pena conhecer mais a fundo a vida de Túrin Turambar. Leitura muito indicada.

Resenhado por Natallie Alcantara

*Título original: The children of Húrin.
336 páginas, Editora Martins Fontes, publicado em 2009.

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