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[Resenha] Uma escolha pode te transformar

Nota do resenhista:  Quando a sua personalidade define o seu futuro, ser diferente pode custar a sua vida.




   Tempo:  Um final de semana.

   Finalidade:  Para curtir um mundo pós-apocalíptico.

   Restrição:  Para quem se irrita facilmente com protagonistas.

   Princípios ativos:  Distopias, romance, ação, aventura.



Divergente, de Veronica Roth

Em um futuro pós-apocalíptico, a sociedade, ao tentar entender o que a levou à destruição, acaba por se dividir. Uma parte acredita que foi o egoísmo o culpado, as pessoas deveriam então, se libertar de bens materiais e sentimentos que não fossem totalmente altruístas. Outros acreditam que a culpa foi da falta de união entre as pessoas e que todas as decisões devem ser sempre tomadas em conjunto. Há ainda os que culpam a falta de honestidade, pregando que os homens devem ser sempre extremamente honestos. Há aqueles que culpam a falta de coragem e o medo de correr riscos pelo fracasso da humanidade. E por fim, há aqueles que acreditam que o fim se deu pela ignorância humana, e pregam que os homens devem ter sempre sede de conhecimento. Criam-se, assim, as cinco facções que dividem o mundo, são elas, respectivamente, Erudição, Amizade, Franqueza, Audácia e Erudição.

Nesse novo mundo, quando os jovens completam dezesseis anos, eles passam por um processo onde serão obrigados a escolherem a facção onde passarão o resto de suas vidas. Se optarem pela facção de origem, não mudará muito em suas vidas, mas se optarem por um diferente, devem deixar tudo para trás, incluindo família e amigos, e começarem uma nova vida do zero. Como parte do processo, os jovens passam por um simulador, que serve como teste de vocacional, apontando as principais qualidades e os principais defeitos de cada um, para auxiliá-los na decisão.

A protagonista, Beatrice, nasceu e cresceu na Abnegação, mas não tem tanta certeza se é lá que quer permanecer. O problema é que ela também não sabe pra onde quer ir, nem se vai ter coragem de abandonar seus pais e seu irmão, que também está passando pela iniciação. E o teste, que deveria ajuda-la, só piora a situação. Isso porque ele não aponta uma, mas várias direções para a jovem. E mais do que deixa-la confusa, o resultado um alvoroço no laboratório e seu teste é apagado dos sistemas, deixando Beatrice sem entender nada.

Na hora da cerimonia, a decisão da garota surpreende a todos, inclusive ela mesma. Um outro mundo, um outro nome, uma nova vida. Há muito que ela ainda precisa descobrir, ela vai aprender o que realmente significa ser corajosa, ter amigos, ser inteligente, altruísta e sincera. E no meio de tantas descobertas e aprendizado, ela ainda irá viver uma grande paixão, com um cara misterioso, que parece estar tentando protege-la de um perigo que ela nem imagina que está correndo.

E é justamente onde o livro mais pecou, o romance entre Beatrice e Quatro, é forçado e sem química. Tudo acontece muito rápido, sem espaço para nos afeiçoarmos aos personagens e comprarmos o casal. Eles ganham intimidade muito rapidamente e os poucos conflitos entre os dois são resolvidos mais rapidamente ainda. Melação de mais, emoção de menos.

A narrativa é lenta e enrolada, perde-se muito tempo em cenas que poderiam ter sido mais rápido, alguns assuntos são tratados exaustivamente, enquanto as grandes questões do livro se resolvem de uma vez ao final, quando você já se cansou de esperar, e mais ainda, já deduziu a solução, a autora poderia ter dividido melhor as respostas dos mistérios pelo livro. Os personagens são, em geral, chatos e enjoados, principalmente os protagonistas. Não consegui sentir a mínima empatia pela Beatrice, e os dramas dela me pareciam enfadonhos, e eu não conseguia sentir empatia por ela.

A autora ganha pontos pela criatividade, não caia no erro de achar que se trata de uma cópia de Jogos Vorazes, embora para mim, as facções mais se assemelham as casas de Hogwarts do que ao romance de Suzanne Collins.  As descrições são bem feitas e o livro é divertido, e pode ser lido em um único final de semana. Ela também consegue deixar um bom link para o próximo livro da série, Insurgente, então mais pontos positivos. No balanço geral, três estrelas para Divergente.

Resenhado por Mariana Arantes

504 páginas, Editora Rocco, publicado em 2012.
*Título Original: Divergent.
Tradução: Lucas Peterson

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