Nota do resenhista: A série Harry Potter é um sucesso literário e, como tal, desperta elogios e críticas ao redor do mundo. Enquanto alguns indicam a leitura das obras, outros proíbem. No entanto, poucas pessoas de ambos os lados apresentam os argumentos para defender seu ponto de vista. John Houghton combina seu conhecimento de teoria literária e cultura bíblica e tenta, através dos pontos altos e baixos da série, oferecer princípios que levem a tomada correta de decisão.



   Tempo:  para ler de um tiro só no fim de semana.

   Finalidade:  para pensar.

   Restrição:  não gosta de perder tempo com longas descrições.

   Princípios ativos: Harry Potter, Análise, Leitura, Crianças, Feitiçaria.


Uma análise criteriosa da série Harry Potter: virando e fazendo a cabeça das nossas crianças, de John Hougthon.

Em uma análise (im)parcial de Harry Potter, Houghton afirma que J.K. Rowling deve ser parabenizada pelo conjunto de sua obra e por ser uma escritora talentosa, ao considerar o contexto da vida da autora em que o primeiro livro surgiu: uma mãe divorciada batalhando para sustentar a si mesma e sua filha bebê que se senta para escrever num café em um de seus passeios rotineiros. A obra também é parabenizada, pois o mundo de Harry é “um mundo moral, que traça linhas entre o bem e o mal… [onde] as vitórias não são baratas; existe um preço a ser pago, lições a serem aprendidas e escolhas devem ser feitas que acarretam consequências.” O autor considera que uma obra literária fantástica invoca um mundo imaginário diferente do nosso, e tal fato pode ser bom ou ruim, no entanto, Harry Potter pende para o lado ruim. Em suas considerações, o autor faz referência a outras obras literárias e a história e discursa sobre a magia de Harry Potter – bruxas e misticismo – para expor sua visão pessoal sobre o que os pais devem, ou não, permitir a seus filhos lerem. Ao comparar Harry Potter com a Bíblia, ele afirma que enquanto no primeiro o bem e o mal são iguais, na segunda obra Deus (bem) está acima do Diabo (mal). Houghton também alerta o leitor para não cometer “o erro idiota” de achar que o amor mostrado em Harry Potter é cristão, já que nesse caso, Harry deveria perdoar seus inimigos.

Um título que pode (ou não) ser uma faca de dois gumes. Tudo depende da interpretação do leitor. O livro mostra no início, comparações plausíveis e equilibradas, mas o autor falha no quesito da imparcialidade. Apesar de em nenhum momento afirmar que “a série pode/deve ser lida por crianças” ou “a série não pode/deve ser lida por crianças”, algumas vezes parece simplesmente que ele está tentando evangelizar o leitor. De forma geral, uma leitura fácil e esclarecedora.

Resenhado por Natallie Alcantara

*Título original: A closer look at Harry Potter: behind and shaping the minds of our children.
109 páginas, Editora Candeia, publicado em 2001.