Nota do resenhista No meio de tantas frases que rodam pela internet e são atribuídas à Clarice Lispector, sempre fica a dúvida: quais são as verdadeiras? E se pudéssemos ter todas as citações mais célebres de Clarice em um só lugar? Roberto Corrêa dos Santos reuniu cuidadosamente excertos de parte da obra da autora e, assim, surge “As Palavras”, de Clarice Lispector.



   Tempo: Nas horas em que precisamos parar e pensar.

   Finalidade: Para refletir.

   Restrição: Para quem procura uma história, para quem não gosta de refletir sobre a vida

   Princípios ativos: Obras de Clarice Lispector, citações, inquietação.


“As Palavras” de Clarice Lispector, curadoria de Roberto Corrêa dos Santos

Se me pedissem para achar um momento no tempo e no espaço em que comecei a ler Florbela Espanca, Gabriel García Marquez e tantos outros escritores que admiro, não seria uma tarefa difícil. Contudo, se me perguntassem quando comecei a ler Clarice Lispector tudo muda. A obra de Clarice parece ser, para mim, uma das coisas atemporais que tem a nossa vida. E a cada (re)leitura que fazia dos livros de Clarice percebia algo novo: os sentimentos através de camadas, o caótico do viver feminino e, porque não, Virginia Woolf.

Clarice faz parte de um grupo de escritores que, mesmo você nunca tendo efetivamente lido, não há como não saber de quem se trata. Isso acontece também com Shakespeare e Guimarães Rosa, por exemplo. O que eles têm em comum? Além da grande fama e reconhecimento da sua literatura, são recordistas de citações na internet (estatística feita por mim e embasada no meu “achismo”). Pensando nesse fenômeno de Clarice Lispector na rede, a Rocco lançou esse ano um novo título relacionado à escritora. E você já deve estar se perguntando: qual é o plot da história e eu já te respondo: nenhum. “As Palavras” é uma coletânea de citações da autora feita sob a curadoria de Roberto Corrêa dos Santos, professor de Estética e de Teoria da Arte da UERJ.

O livro é separado em catorze partes que correspondem a uma obra de Clarice (“Um sopro de vida”, “A hora da estrela”, “Água viva”, “Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres”, “A paixão segundo G.H”, “Perto do coração selvagem”, “A bela e a fera”, “Onde estivestes de noite”, “A via crucis do corpo”, “A legião estrangeira”, “Outros escritos”, “Para não esquecer”, “Correspondências”, “A descoberta do mundo”), além de uma nota de trabalho onde o curador compartilha com os leitores um pouco da sua experiência sobre o processo de seleção dos excertos e sobre a literatura de Clarice Lispector.

É perceptível o cuidado na seleção das citações e ainda somos surpreendidos com lindas ilustrações no início de cada capítulo. Para aqueles que nunca leram Clarice, mas têm como hobby procurar frases da autora na internet, “As Palavras” vem como uma espécie de “guia oficial”. Se você é um leitor que nunca se interessou pelas citações que circulam on-line, mas tem curiosidade em conhecer a literatura clariceana e ter as primeiras impressões sobre a escrita de Clarice Lispector, esse é um bom livro para isso. E obviamente, para os fãs de Clarice, assim como eu, ter este livro é um como possuir um tesouro em mãos. Afinal, se ver o book trailer já foi algo maravilhoso para desencadear reflexões, folhear “As palavras” é quase uma epifania.

Resenhado por [Ana Leme].

312 páginas, Editora Rocco, publicado em 2013.