Nota do resenhista Lanny finalmente está livre das maldades de Adair, seu mestre imortal sádico e desumano. Agora com Jonathan, seu amor verdadeiro, decide viver a eternidade longe de todas as lembranças ruins do passado. Mas infelizmente, quando se é imortal, o para sempre é amanhã e Adair está livre da sua prisão e Lanny corre risco de passar a eternidade sofrendo castigos terríveis.

 


   Tempo: Para ler aos poucos durante a semana.


   Finalidade: Para se distrair, rir, pensar.


   Restrição: Para quem não gosta de romance, sexo.


   Princípios ativos: Drogas, sexo, amizade, amor, alquimia.


Refém da obsessão, por Alma Katsu.

Refém da Obsessão é o segundo livro de uma trilogia escrita por Alma Katsu que se ambienta em um cenário diversificado. O livro conta a história de Adair, um médico e alquimista imortal que ao longo dos séculos vai transformando quem passa por seu caminho, até encontrar Lanny uma jovem atormentada por seus erros no passado. Ao tentar escapar das mãos de Adair comete seu pior erro, e o aprisiona durante 200 anos atrás de paredes de concreto.
Nesse exemplar, Lanny se vê envolvida com Luke, um médico que a ajuda escapar da polícia após cometer um assassinato. Durante alguns meses eles vivem bem, se desfazendo de todos os objetos adquiridos ao longo de séculos de vida dela. Até que de uma hora para outra, aquele zumbido que estivera durante anos em silencio retornou com uma promessa terrível: a vingança de Adair.
O livro é gostoso de ler, pois mostra o ponto de vista dos dois personagens principais em uma corrida de gato e rato e principalmente, a história de vida e a adaptação de Adair após 200 anos de aprisionamento.

“– Está um pouco cedo para ver qualquer coisa”. Que tal eu conectá-lo a um computador e deixar você…
– Não! – Adair interrompeu. – Chega desse seu aparelho precioso. Estou cansado disso. – Ele suspeitava que Jude estivesse usando o aparelho para deixá-lo nervoso. E, além disso, não gostava do que sentia, da maneira que seus dedos faziam um barulho continuo e deixavam seus nervos à flor da pele.”

Se no primeiro livro Adair era um homem sem escrúpulos, nesse exemplar algo foi quebrado nele. Após algum tempo, as reações à Lanny me fez lembrar um pouco como se ele estivesse desenvolvendo a síndrome de Estocolmo, e aos poucos se apaixonando loucamente, como é possível ler abaixo.

“Passou suavemente os dedos sobre os pedaços de tecido fino pendurados em cabides forrados, peças delicadas feitas de seda e renda, o toque desses tecidos femininos o deixaram excitado. Levou um das camisas dela até o nariz: não havia sinal de perfume, mas lá estava o cheiro dela novamente. Esfregou o rosto sobre a peça de roupa, desejando ser um cão de caça, capaz de encontrá-la pelo cheiro.”

Ao longo do livro vemos que parte das pessoas envolvidas por Adair teve tempo suficiente, 200 anos, para repensar em suas atitudes e tentaram mudar. A grande questão demonstrada nesse livro é que qualquer pessoa que dure para sempre tende a não viver de acordo com as expectativas e de forma regrada. Uma grande vítima de Adair fora Savva, que sofreu durante diversas vidas os sintomas, recorrendo ao álcool, às drogas e pílulas até chegar no estado de miséria que se encontra, e quem Lanny acreditava ter transtono bipolar (doença que não havia sido descoberta na época de sua transformação).

“Savva estava muito pior agora, viciado demais para se medicar com responsabilidade; tinha demônios muito maiores que seu desequilíbrio químico com que brigar, e muito pouca força de vontade na qual se apoiar. Seu humor oscilava de uma hora para outra, e ele geralmente estava furioso, irracional e paranóico, apesar de ficar um pouco menos hostil quando estava dopado. Injetava-se drogas com tanta frequência que era mais eficiente que uma enfermeira. Engolia quaisquer pílulas que lhe caíssem nas mãos, e álcool é era o único líquido que ingeria.’

Embora não tenha lido o primeiro livro, consegui desenvolver a leitura, conhecer os personagens e ficar ansiosa pelo terceiro e último livro. Lógico que não aconselho ninguém a ler dessa forma e buscarei o quanto antes ler o primeiro livro, que deve ser tão emocionante quanto o segundo. É possível ver claramente um “triângulo” amoroso, sendo que Adair até então tinha um sentimento de posse e não de amor por Lanny, que por sua vez fez de tudo para salvar Jonathan de perder seu corpo – literalmente – para Adair.
Alma Katsu escreveu um livro baseado nas reações humanas como ira, inveja, luxúria, tornando tudo ainda mais real e próximo da nossa realidade. O romance não é meloso, a história mesmo sendo contada por dois personagens alternadamente tem uma grande fluidez. É quase impossível largar o livro, principalmente na parte em que Adair fala conhecer suas mentiras e seus sentimentos conflitantes é maravilhoso, mas como ninguém é igual, há pessoas que além de gostar do que fizeram no passado, aprimoraram-se, e uma delas é Tilde.
Mulher sem escrúpulos que se casa com homens ricos e influentes de tempos em tempos para viver de seu dinheiro. Seu atual disfarce é viver sobre pele de cordeiro como filantropa, mas na realidade matou o marido e seduziu os dois filhos do falecido, jovens de menos de 20 anos.

“Adair podia sentir que o garoto estava completamente apaixonado por ela. O desespero dele corria pelo tédio adolescente. Ele achava que conseguia disfarçá-lo, mas a única coisa em sua cabeça era estar com Tilde de novo, o desejo traindo-o à medida que não parava de se mexer, pouco a vontade.”

O fim do livro lhe deixará curioso do que vem por aí, quais caminhos os personagens irão seguir e se de fato Adair vai conseguir com que Lanny o ame de verdade, afinal de contas mudar mais de 200 anos de personalidade não deve ser muito fácil.

Resenhado por Lucivnia Lima.

352 páginas, Editora Novo Conceito, publicado em 2013.
*Título Original: The reckoning.