Entra em cartaz esta sexta-feira nos cinemas de todo o país a mais nova adaptação para a grande tela de um romance sobrenatural.

Dezesseis Luas (“Beautiful Creatures”, EUA, 2013) é o filme baseado no primeiro livro da série homônima de Kami Garcia e Margaret Stohl que, mesclando magia, amor e mistério, tem tudo para encabeçar uma franquia cinematográfica promissora.

Eu tive o privilégio de assistir ao filme na Pré-Estreia e agora trago minha resenha com exclusividade para o Ish. Confira!  

“Dezesseis Luas”, dirigido por Richard LaGravenese

Duração: 124 minutos.
Finalidade: para ficar na ponta da poltrona.
Restrição: para quem não suporta uma dose moderada de melodrama adolescente.
Princípios ativos: Romance Sobrenatural, Bruxaria, Adolescência, Escolhas, Maldição.

Ethan Wate (Alden Ehrenreich) é um garoto comum de Gatlin, uma pequena cidade do sul dos Estados Unidos. Mas há alguns meses Ethan é atormentado por sonhos misteriosos, onde vê uma garota desconhecida.  Até que ela aparece… Lena Duchannes (Alice Englert) é uma adolescente que luta para esconder seus poderes e uma maldição que assombra sua família há gerações. Ela tem apenas 15 anos e está morando com o tio, Macon Ravenwood (Jeremy Irons), descendente da família que fundou Gatlin. O problema é que os Ravenwood têm fama de lidar com artes das trevas, o que faz com que boa parte da população da cidade se volte contra eles. Não demora muito para que Ethan se interesse por Lena, sem saber que ela e os integrantes de sua família possuem poderes. Mais que um romance entre eles, há um segredo decisivo que pode vir à tona. Eles precisarão lutar pelo amor que sentem um pelo outro, especialmente devido à uma maldição que assombra sua união. 

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Permeado por uma aura sombria devido à opção por uma palheta de cores ligeiramente mais frias, embora sem exageros, Dezesseis Luas é conduzido por um improvável narrador que envolve os expectadores de forma sutil através de seu carisma e suas boas tiradas em meio ao teor sobrenatural que toma conta da trama.

Algo estranho está acontecendo com Ethan Wate: ele sonha constantemente o que mais parecem ser pesadelos com uma garota que aparenta ter emergido da escuridão. É então que Lena Duchannes, uma novata adiantada para a idade, surge em sua classe. Alvo de comentários hostis das mais populares por causa de sua ancestralidade, ela logo deixa nítida a força de sua presença de espírito através de seus “poderes explosivos”, o que só respalda o preconceito dos que a discriminam. E, talvez justamente pela singularidade que emana dela, Ethan se sente atraído e engata na busca por conhecê-la melhor. Não demora muito para que o garoto associe Lena à personagem obscura que habita seus sonhos.

Cada vez mais envolvido, tudo na vida de Ethan converge para um caminho de mudanças significativas quando Lena admite ser uma Conjuradora – segundo ela, um termo menos pejorativo do que “bruxa” para se referir ao que é – que carrega o pesado fardo de a cada dia a menos marcado em sua mão estar um passo mais próxima de ter de escolher entre evocar a Luz ou as Trevas, o que acontecerá ao completar dezesseis anos.

Com atuações de esplendor inquestionável como a de Jeremy Irons – Macon Ravenwood, o misterioso e recluso tio de Lena – e Viola Davis – Amma, a dona da casa em que Ethan vive e bibliotecária que foi amiga da mãe dele e conhece mais segredos do que poderia imaginar –, o filme já teria cenas de impacto gradioso o suficiente para valer a pena ser assistido. No entanto, ainda há Emmy Rossun – Ridley, a prima que conjurou as Trevas, o reflexo do que Lena pode se transformar – que chega imponente e sedutora para abalar os pilares da trama; e Emma Thompson, que dá uma demonstração magestosa das múltiplas facetas de seu brilhantismo ao intepretar uma personagem dúbia, ora a fanática religiosa Sra. Lincoln, que se opõe fervorosamente aos Ravenwood, ora corpo possuído pelo espírito desvairado, desprovido de alma e corrompido pelas Trevas de Sarafine, a mãe de Lena.

O personagem de Ethan passa longe do arquétipo de galã, na mesma medida em que a de Lena não tem grande expressividade por ser apenas uma jovem atormentada pelo passado da família e em conflito com a própria identidade. Assim, o casal de protagonistas não possuiu glamour algum, tampouco uma química latente, o que não significa que não tenha suas horas de demonstrações doces e intensas do fato de estar apaixonado.

Não há dúvida de que estão predestinados… e amaldiçoados.

Ethan cativa por sua irreverência natural em situações tensas, enquanto Lena, pela despretenciosa ausência de traços marcantes. E, principalmente, os dois somam pontos de conceito por, a partir do momento em que ficam sabendo que permanecerem juntos é como selar a maldição que provocaria o iminente fim de tudo aquilo em que acreditam, se recusarem corajosamente a deixar de ao menos proteger um ao outro.

 É a decisão de Lena por não se render totalmente ao que sua intragável mãe planejava que leva ao ápice do longa-metragem. E os sacrifícios que faz, o quê põe à prova sua lealdade.

A trilha sonora se adequa ao rítmo da trama com soberba – tão compatível com a história que uma das canções, “Needle and Thread”, que toca quando Lena faz nevar, foi composta e gravada pela própria protagonista, Alice Englert, e sugerida a integrar a trilha pelo diretor, Richard LaGravenese. A paisagem é uma atmosfera adorável para o clima de fantasia; os figurinos são um deslumbre à parte. Além de a excelente fotografia e a edição de som impecável durante os efeitos visuais que chegam a impressionar darem o tom certo de que uma produção como esta necessita para acentuar sua verossimilhança.

Não é à toa que as próprias autoras do livro chegaram a admitir que, apesar das alterações perante a obra original presentes no roteiro, a adaptação capta a essência da trama que conceberam.

Mostrando que estar fora dos padrões aceitáveis pelos “rotuladores” alheios é a diferença que pode enfocar a verdadeira beleza como um todo, e que chegar ao equilíbrio é o modo autêntico de manter o controle do que importa, Dezesseis Luas é a face fantasiosa, mas desprovida de máscaras e superficialidade, dos problemas enfrentados por uma adolescente que teme não vir a ser capaz de escolher o lado certo com o qual agir.  Não é o melhor filme do ano… Mas é um bom filme!

Resenhado por Brunna Cassales               

 

Distribuição: PARIS FILMES                      

Veja também >>> Para Ler: Beautiful Creatures

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