Daqui a alguns dias o primeiro volume de “A Roda do Tempo”, “O Olho do Mundo”, escrito por Robert Jordan, chega as livrarias pela editora Intrínseca. Em comemoração, a editora convidou a equipe da fan-page A Roda do Tempo (Wheel of Time), com o apoio do Dragonmountbooks e da Escola de Cairhien, a elaborar algumas perguntas sobre o trabalho de edição.

Confira abaixo a sinopse e as informações do primeiro livro e logo após a entrevista com Danielle Machado, editora de livros jovens, e sua equipe.

O_OLHO_DO_MUNDOO Olho do Mundo
A Roda do Tempo – Livro 01
Robert Jordan

Um dia houve uma guerra tão definitiva que rompeu o mundo, e no girar da Roda do Tempo o que ficou na memória dos homens virou esteio das lendas. Como a que diz que, quando as forças tenebrosas se reerguerem, o poder de combatê-las renascerá em um único homem, o Dragão, que trará de volta a guerra e, de novo, tudo se fragmentará.
Nesse cenário em que trevas e redenção são igualmente temidas, vive Rand al’Thor, um jovem de uma vila pacata na região dos Dois Rios. É a época dos festejos de final de inverno — o mais rigoroso das últimas décadas —, e mesmo na agitação que antecipa o festival, chama a atenção a chegada de uma misteriosa forasteira.
Quando a vila é invadida por Trollocs, bestas que para a maioria dos homens pertenciam apenas ao universo das lendas, a mulher não só ajuda Rand a escapar, como o apresenta àquela que será a maior de todas as jornadas: ela é uma Aes Sedai, artífice do poder que move a Roda do Tempo, e acredita que Rand seja o profético Dragão Renascido. Aquele que poderá salvar ou destruir o mundo.

Informações adicionais:
Edição: 1
Editora: Intrínseca
Ano: 2013
Páginas: 800
Tradutor: Fábio Fernandes

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1º Capitulo

Danielle Machado
Editora Intrínseca

P.: Afora a grande quantidade de livros, a série A Roda do Tempo também é famosa pelos termos e expressões coloquiais inerentes ao mundo criado por Robert Jordan (pseudônimo de James Oliver Rigney, Jr., 1948-2007). Quais as maiores dificuldades encontradas na tradução para o português até o momento?

R.: A dificuldade inegável na edição de A Roda do Tempo é mesmo a extensão da série. A tradução da terminologia própria desse universo, mencionada na pergunta, por exemplo, torna-se mais complexa porque ao traduzir cada termo escolhido pelo autor precisamos considerar não só o contexto do livro no qual estamos trabalhando, mas também o dos livros que estão por vir. Um exemplo disso é o termo “Wisdom”, um título atribuído a mulheres, que, no primeiro livro da série, seria traduzido como “Sábia”. Porém, umas duas mil páginas adiante na saga, há a expressão “Wise Ones”, para a qual “Sábias” também seria uma escolha apropriada. Por conta disso, após deliberações entre tradutor, copidesque e editores, “Wisdom” foi traduzido como “Sabedoria”. Em muitos casos ao longo do livro, demorou até que todos se dessem por satisfeitos. Conseguir olhar de perto cada detalhe e, ao mesmo tempo, manter a distância necessária para enxergar a saga como um todo é um desafio gigantesco que estamos trabalhando duro para superar.

P.: Houve uma preocupação em pesquisar como as edições francesa, espanhola e portuguesa (dentre outras) traduziram alguns dos mais difíceis termos? Ou ainda, foi feita alguma consultoria com fãs para a tradução de termos como balefire, Sitters, Amyrlin Seat, etc.?

R.: A obra de Jordan está publicada há bastante tempo, há edições estrangeiras, companion books, fóruns e wikis de fãs em diversas línguas, e tudo isso foi material de referência para a tradução e a edição de O Olho do Mundo. Entram na conta também a bagagem profissional dos editores, dos colaboradores de texto e do tradutor Fábio Fernandes, que também é autor e acaba de voltar do disputado Clarion West Writers Workshop, em Seattle, um programa de escrita criativa dedicado unicamente a fantasia e ficção científica, que este ano teve entre seus instrutores Neil Gaiman.

P.: Ainda sobre a tradução, tendo em vista que é lugar-comum no Brasil aportuguesar nomes de lugares e, às vezes, até de personagens, foi feito algo do gênero no caso dessa tradução ou os nomes originais foram mantidos (por mais que a sonoridade de alguns deles possa parecer estranha para os brasileiros)?

R.: Cada obra impõe à tradução diferentes necessidades e limites, e, infelizmente, nem sempre significado e sonoridade vão transitar juntos de uma língua para outra. Um dos caminhos para a edição é tentar identificar o que, em um determinado termo, é mais relevante para a experiência do leitor: o significado ou a sonoridade. Em O Olho do Mundo, muitos nomes de lugares foram, sim, traduzidos, como o Mar do Mundo, os Dois Rios e a Grande Praga — esses são nomes que, no original, entregam uma informação ao leitor, e o mesmo tem de ocorrer na tradução. Já, por exemplo, Shayol Ghul, nome que no original desperta estranheza, foi mantido, para também despertar estranheza em português. Seguindo essa lógica, Moiraine é Moiraine, Shai’tan é Shai’tan, mas Artur Hawkwing é Artur Asa-de-gavião. É um quebra-cabeça de pesquisa, experimentação e bom senso. E certamente, livro após livro, afinaremos cada vez mais essas escolhas.

P.: Quase todos os livros da série nos Estados Unidos foram desenhados pelo mesmo artista, o famoso ilustrador de fantasia Darrel K. Sweet (1934-2011). Porém, a Editora Intrínseca decidiu utilizar para o lançamento de O Olho do Mundo no Brasil uma capa bem mais sóbria, exibindo apenas dois dos principais símbolos da série, a própria Roda do Tempo e a Grande Serpente. O que foi levado em consideração na escolha dessa capa? E esse padrão será repetido nas demais capas da série?

R.: O símbolo da Roda do Tempo com a Grande Serpente, ilustrado pelo Sam Weber, era uma unanimidade na editora, bem como a preferência pelas capas inglesas da saga. A arte de capa de O Olho do Mundo nasceu dessa soma, e, sim, esse será o padrão da série.

P.: Vivemos hoje no que alguns consideram o “mundo digital”. E um grande indício disso seria o crescente mercado de livros eletrônicos no Brasil e no mundo. A Editora Intrínseca planeja lançar O Olho do Mundo em versão digital? Se sim, para quando e com as capas similares às dos e-books estadunidenses?

R.: Sim, todos os livros lançados pela Intrínseca, salvo raras exceções, são publicados também em e-book simultaneamente ao lançamento do livro impresso. O e-book de O Olho do Mundo estará nas lojas em 2 de setembro e custará R$34,90. A capa digital será igual à do livro impresso.

P.: E, por falar nos planos da Editora Intrínseca, qual o cronograma de lançamentos dos próximos livros da saga? A tradução e a publicação do segundo volume, A Grande Caçada, já estão em andamento? Ou esse lançamento é condicional às vendas do primeiro volume, O Olho do Mundo?

R.: O segundo e o terceiro livros da saga A Roda do Tempo já estão em produção e estamos trabalhando com a expectativa de lançar dois volumes por ano.

P.: Aliás, conforme previamente mencionado, por se tratar de uma série de quinze livros, todos de considerável volume, há no momento algum planejamento concreto para que eles sejam lançados no Brasil a cada seis meses ou menos? Ou será necessário esperar quinze anos para ver o final da série sair em português do Brasil?

R.: O planejamento inicialmente é mesmo manter um intervalo de cerca de seis meses entre as publicações, considerando-se o tamanho dos livros e o prazo necessário para a produção, mas as datas, sempre, somente serão divulgadas nos canais da Intrínseca quando forem definitivas.

P.: Apesar de ser uma das maiores e mais conhecidas sagas de fantasia nos países de língua inglesa, e o autor ter sido considerado o novo Tolkien pelo The New York Times, o tamanho da saga ou a falta de conhecimento sobre a mesma no Brasil são grandes obstáculos a ser vencidos. Portanto, quais as expectativas da Editora Intrínseca com a publicação da saga no Brasil? E o que a Editora está planejando em termos de publicidade e eventos para aproximar o grande público da série?

R.: O desconhecimento do público pode parecer um grande obstáculo, mas, na verdade, isso é a regra: livros que chegam às lojas com uma base de leitores já formada são exceção. A Roda do Tempo é um marco do gênero, uma saga com personagens, geografia e mitologia sem iguais; extensa, sim, elaboradíssima, mas que ao mesmo tempo tem um ritmo forte e é absolutamente acessível. Nossas expectativas estão à altura de tudo isso: O Olho do Mundo é o maior lançamento da editora no mês de setembro, tem uma tiragem inicial de 15 mil exemplares — bem acima da média para uma obra desse gênero e desse tamanho —, e as áreas de comunicação e marketing da Intrínseca, alinhadas com uma forte colocação do livro nas lojas, começam agora a executar suas ações de lançamento. Agora mesmo, neste post.