Nota do resenhista:  Banqueiros dos EUA estão sendo aterrorizados por um frio e ardiloso ladrão de bancos. Um detetive renomado é selecionado para resolver o caso. Em uma história cheia de reviravoltas, Clive Cussler mostra porque seus romances se destacaram no The New York Times e agora também no Brasil. Leia a nova resenha de Rodrigo Oliveira sobre A Caçada e deixe sua opinião nos comentários.

Tempo:  para ler de um tiro só no final de semana.
Finalidade:  para ficar na ponta da cadeira.
Restrição:para quem não gosta de longas descrições
Princípios ativos:  ladrão de bancos, detetive, investigação, ficção norte-americana.


A Caçada,  Clive Cussler

A_CACADA_1358612114PA narração já começa misteriosa, quando uma locomotiva a vapor com aparência sinistra é retirada do fundo de um lago em Montana, nos Estados Unidos. O ano é 1950, mas a verdadeira história passa-se algumas décadas antes, em 1906, quando a Agência de Detetives Van Dorn é contratada pelo governo norte-americano para apanhar o bandido conhecido como Assaltante Açougueiro, famoso pelos seus assaltos que não deixavam nenhum rastro de pistas ou testemunhas, mas, em compensação, deixavam um mais que visível rastro de vítimas e sangue. Com uma leitura simples e bem acessível, o livro narra a caçada de um inteligente e bem sucedido investigador, Isaac Bell, em busca de sua maior preza.

Um ótimo adjetivo para A Caçada é: clássico. O livro nos leva de volta ao tempo das minas de ouro, dos saloons (um tipo de bar característico do Velho Oeste norte-americano), dos carros que não chegavam a 100 km/h, das senhoritas e dos cavalheiros e dos trens a vapor. Esse ar clássico é brilhantemente descrito pelo Clive Cussler. É quase como se você sentisse que o escritor viveu naquela época, de tão rica em detalhes é a trama.

E agora vou tratar do que eu acho que é a grande virtude e, ao mesmo tempo, o grande pecado do livro: as descrições. Não que o autor não saiba descrever. Muito pelo contrário! Ele descreve cenas e objetos muito bem, com bastante destreza. O grande porém é que ele usa desse artifício em vários momentos, o que pode ser considerado interessante e instrutivo, se olhado por um lado, mas também desnecessário, se olhado por outro, como nesse trecho em que Isaac Bell está para sair em uma motocicleta.

“Colocou os óculos de proteção sobre os olhos, depois baixou a mão e torceu a válvula que permitia que o combustível caísse, pela força da gravidade, do tanque para o carburador. Então, colocou os pés sobre os pedais estilo bicicleta e partiu pela rua, deixando que a corrente elétrica das três baterias fluísse pela bobina, produzindo uma fagulha de alta voltagem que acendeu o combustível nos cilindros. Ele rodara apenas três metros quando o motor V2 ganhou vida, o escapamento emitindo um rosnado agudo.” (pág. 61)

Mas esse pecado não me impediu de devorar as últimas duzentas e cinquenta páginas em poucas horas e dar nota máxima (cinco estrelas!) ao livro, pois a narrativa é bastante entusiástica e as descrições proporcionam bastante realidade às cenas, facilitando nosso envolvimento com elas.

E, para encerrar, tenho que elogiar a editora Novo Conceito pela publicação. O livro está impresso em um papel amarelado que nos permite ler muito sem cansar a visão e a fonte usada também combinou bastante com a história. Recomendo a todos.

Resenhado por Rodrigo Oliveira


384 páginas, Editora Novo Conceito, 1ª edição – 2013.

*Título original: The Chase