O escritor Markus Zusac comentou em seu Tumblr as impressões que teve ao visitar o set onde esta sendo adaptado sua aclamada obra “A Menina que Roubava Livros”.

As publicações se deram ao longo dos dias 5, 8 e 15 desse mês, nelas o autor escreveu sobre a alegria de ver Geoffrey Rush no papel de Hans Hubermann, a dedicação do diretor Brian Percival e a estranheza de caminhar por um cenário fictício no mundo real.

Confira todo o material logo abaixo!

GEOFFREY_RUSH

Geoffrey Rush

Em primeiro lugar: Geoffrey Rush sabe tocar acordeão. Em segundo: ele gosta de fazer perguntas. Em terceiro? Ele gosta de fazer perguntas SOBRE acordeão, e perguntas sobre basicamente tudo o que ele poderia aprender sobre Hans Hubermann e A menina que roubava livros no pouco tempo que tivemos para conversar em Berlim, em abril.

Provavelmente, a melhor coisa que posso dizer sobre Geoffrey (e o mesmo vale para Emily Watson) é que ele é muito… normal. Me tratou como um amigo. Foi como se estivéssemos conversando sobre um livro que ambos tínhamos lido, e ele falava como se o livro fosse algo vivo, algo que ele quisesse defender.

Em um ponto ele se referiu às duas músicas com acordeões que mencionei no livro. Eu pensei “Jesus, ele LEU mesmo”, e essa é uma das honras mais inusitadas e agradáveis que consigo imaginar. Ele é um dos maiores e mais amados atores de nosso país, [a Austrália] e leu A menina que roubava livros.

Enquanto conversávamos, eu sabia que não seria necessário vê-lo interpretando o papel. Eu não precisava vê-lo levar Liesel, e depois Max, para sua casa. Certas coisas não precisam ser vistas.

Certas coisas a gente simplesmente sabe como serão.”

BRIAN_PERCIVAL

Brian Percival

É tentador falar sobre os talentos de um diretor e mencionar o que ele fez, os prêmios que ganhou, como são seus filmes e tudo o mais relacionado com o trabalho cinematográfico. Na verdade, não é nem tentador – é o que provavelmente eu deveria estar fazendo.

Em vez disso, vou falar sobre Brian Percival como… de que jeito posso colocar isso?… como Brian Percival. Conheci Brian em Chicago em outubro passado, e, mais do que tudo, ele escutou. Nós conversamos por muitas horas, até que o tempo ficou curto, e tivemos que partir.

Foi em um hotel.

No elevador, quando as portas se abriram, ele me puxou de lado e falou algo que nunca esquecerei. Ele disse:

Não vou decepcioná-lo.

Aquilo me mostrou que ele estava certo. Me mostrou que aquele filme, independentemente das diferenças em relação ao livro, teria o mesmo sentimento. E me mostrou que ele foi capaz de produzir um momento, quando a maioria teria dito apenas “Tchau” ou “Foi bom conhecê-lo”. Ele aproveitou bem aquele instante, e eu pensei: “Não há mais ninguém a quem eu prefira entregar isso.” Aquele era exatamente o tipo de pessoa a quem eu poderia confiar Liesel e Rudy, e Max e Hans e Rosa. E a vida e a Morte. Ele era o tipo de cara a quem se pode entregar uma história e dizer, Aqui está, faça dessa a sua história.

E em apenas um ano, ele com certeza fez isso.”

A_RUA_HIMMEL

A Rua Himmel

Nos últimos seis meses, muitas pessoas me perguntaram como foi estar no set de filmagem de A menina que roubava livros. Fui tomado pelas emoções? Foi excitante ver meu romance ganhar vida?

Para ser honesto, é como tudo mais que acontece comigo; eu não vivo o momento dessa maneira. Levo algum tempo para assimilar coisas assim. Primeiro, vêm as imagens, e só isso. Mesmo agora consigo me lembrar da neve nos telhados. Vejo o “33” ao lado da porta dos Hubermann. Lembro o frio cortante das ruas de pedras como uma dor de dente nos meus sapatos.

Uma das imagens de que me lembro do livro é da rua Himmel com a “cor da Europa”. O que eu percebi com maior clareza em Berlim é que eu posso escrever algo que diga ao leitor “Agora você completa o cenário”, mas o designer da produção, Simon Elliott, não tem essa moleza.

Quando Simon me levou para visitar o set, eu vi quão meticuloso ele tinha sido, até no papel de parede dos Hubermann. Ele foi incrível. Outros exemplos incluem o cuidado extremo com a caligrafia das palavras no porão; a propaganda nazista entre as ruas Munich e Himmel, e minha parte favorita – a papelaria próxima da ponte entre Molching e o mundo real…

Quase no final da minha passagem por lá, me sentei nos degraus do número 33 da rua Himmel e lembrei que vivi naquele lugar por um longo tempo dentro da minha cabeça – e estar ali era muito melhor.

Algumas vezes, é o detalhe mais estranho que nos faz perceber o quanto um momento pode ser especial. No meu caso, foi ver meus garotos jogando neve uns nos outros, em uma rua inventada que era real.

Obrigado, Simon, por tudo. Era tudo o que eu podia querer, e muito mais.”

Tradução e adaptação: Editora Intrínseca.

E vocês, já estão ansiosos como eu para a estreia nos cinemas?!