Esse mundo distante

Um dos países mais polêmicos do mundo atualmente, o Irã é visto por muitos como uma ameaça nuclear ao mundo ocidental. Já o governo brasileiro é mais diplomático com a nação asiática. As questões comportamentais também são muito discutidas, como a condenação (cancelada) de uma mulher a apedrejamento por adultério.

É possível tratar esses assuntos com leveza, naturalidade e emoção? A iraniana Marjane Satrapi foi muito bem-sucedida nessa empreitada, através do livro de história em quadrinhos “Persépolis”. Trata-se de uma autobiografia ilustrada, que retrata como ela foi criada em meio a revoluções, guerras, perseguição política, viagens ao exterior, com um olhar crítico, sem preconceitos, e, acreditem, muito bom humor. Leia a resenha de Sheila Vieira e deixe seu comentário!

“Persépolis”, de Marjane Satrapi

tempoTempo: para ler de um tiro só no fim de semana
indicacaoFinalidade: para rir
restricaoRestrição: para quem não gosta de coisas moderninhas
principioPrincípios ativos: história em quadrinhos, Irã, islamismo, história, viagem.

barra

“Persépolis” começa com o desenho de uma menina de dez anos vestindo véu, com cara emburrada. Todas as suas amigas também eram obrigadas a cobrir seus rostos. Mas a vida nem sempre foi assim no Irã. Após a Revolução Islâmica de 1979, que o regime começou a ser mais rígido com os hábitos comportamentais do povo. Filha de uma família politizada, foi assim que a pequena Marjane começou a sua jornada.

PersepolisCompleto CiadasLetras

Esperta, curiosa e com muita vontade de ser livre, Marji não tinha vergonha de expor seus pensamentos combativos para os colegas de classe. Por isso, sempre sofria punições e advertência dos diretores da escola. Porém, a situação ficou mais complicada quando membros de sua família começaram a desaparecer e serem mortos.

Para piorar, não muito depois o país entrou em guerra com o Iraque, e Marji não podia mais sair na rua para encontrar os amigos. Parece tolo, mas a autora é muito eficaz ao fazer o leitor entrar na mente de uma pré-adolescente testemunhando um capítulo histórico importante. Ao passo em que a violência é parte do seu cotidiano, ela se torna cada vez mais banal.

Quando sua rua foi bombardeada, matando vários de seus vizinhos, os pais de Marji tomaram a decisão de tirar a filha do Irã. Conseguiram que a filha morasse na Áustria, onde poderia estudar outras línguas e ficar longe da repressão comportamental que tanto a incomodava. Porém, a futilidade de algumas colegas e a falta de dinheiro começaram a levar Marji a um triste caminho…

“Persépolis” foi escrito e ilustrado em quatro partes, reunidas em um livro. A imagens são em preto e branco e facilitam bastante a leitura, bem como ajudam a manter o tom leve da narrativa. A obra ganhou o prêmio de melhor história em quadrinhos na Feira de Frankfurt em 2004 e foi publicada em vinte países.

Resenhado por Sheila Vieira

352 páginas, Editora Companhia das Letras, 2009. Tradução de Paulo Ventura.
*Título original: Persepolis. Publicado originalmente de 2000 a 2003.

Onde Comprar

Sobre o autor

6 Comentários

  1. Lucas

    Deu muita vontade de ler. História forte, mas tratada com simplicidade. *-*

    Responder
  2. Pagu Polkadots

    Esse livro é o máximo! A história do Irã é muito bem contada, de forma leve, mas sem deixar as barbaridades de lado. É muito interessante ver a perspectiva da infância até a vida adulta de Marjane, e o melhor de tudo foi real! eu super recomendo!

    Responder
  3. Daniel Souza

    Nossa, parece bem interessante. Faz tempo que não leio histórias ilustradas desse jeito… quem sabe se eu não encontrar essa por aí dando sopa xD

    Responder
  4. Jessika

    Este é um ótimo livro, apesar de ser contada em forma de uma narrativa a montagem dos quadrinhos complementa e ilustra os fatos contados maravilhosamente! Recomendo tmb ^^

    Responder
  5. Saulo de Lima

    1º Nada haver com a coluna, mas já postei aqui e não está aparcendo. Farei queixa.

    2º As Resenhas do Potterish é uma concerteza a coisa que mais admiro no site. Pois elas são bem construídas.

    “O menino que sobreviveu caminha para a Morte”
    Lord Voldemort

    Assinado por: Lord Voygar

    Responder
  6. Saulo de Lima

    A palavra “concerteza eu encaixei errado na pressa.

    ”As resenhas do Potterish são concerteza a coisa que mais admiro no site. Pois elas são bem construídas.”

    “O menino que sobreviveu caminha para a Morte”
    Lord Voldemort

    Assinado por: Lord Voygar

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *