A nossa resenhista Mariana Arantes indica hoje um dos livros mais conhecidos da literatura brasileira, Meu Pé de Laranja Lima. Não deixe de comentar!

Eu li esse livro aos 11 anos de idade, achei ele um dia em uma livraria, gostei do título e comprei. Estava ainda me inicializando no mundo literário e não tinha idéia de que leria um clássico nem do seu conteúdo. E isso só fez com que ele mexesse ainda mais comigo.

Zezé é o penúltimo irmão de uma família grande, têm três irmãs mais velhas, Jandira, Glória e Lalá, um irmão mais velho, Totoca, e um irmão menor, Luís, além do pai, que está desempregado e passa a maior parte do tempo no bar, e a mãe que passa os dias a trabalhar na fábrica da cidade.

Eles moram no interior do Nordeste e o livro começa quando eles precisam se mudar. E na nova casa, cada irmão escolhe uma árvore para ser sua, e sobra para Zezé, o pequeno e frágil pezinho de laranja-lima.

Primeiro, ele fica chateado por não ter conseguido a laranjeira ou a mangueira, mas depois com a sua grande imaginação ele transforma sua árvore em seu melhor amigo.
E a sua imaginação vira o seu refúgio, onde ele se protege da pobreza e miséria extrema, de um pai violento (durante o livro, ele leva diversas surras e são cenas bem fortes), dos maus tratos dor irmãos e de uma realidade que não condiz com a sua pouca idade.

Zezé também fica amigo do Seu Manuel, o Portuga, que acaba tomando o lugar de pai em sua vida e lhe ensinando muita coisa. A Glória, sua irmã, também é quem lhe enche de carinho e quem olha pelo menino dentro de casa. E Zezé por sua vez, faz o possível para que o caçula Luís possa ser criança por mais tempo.

Mesmo sendo um livro triste com algumas partes mais pesadas, é comovente ver o mundo pelos olhos do Zezé, vê-lo transformar tudo a sua volta com a sua enorme imaginação e você se sente mal por ver a infância dele indo embora cedo mais.

O livro é realmente uma obra prima e não é atoa que é um clássico e vale a pena conhecê-lo. E é uma obra autobiográfica, o autor escreveu o livro em um único dia, porque disse que já tinha a história toda com ele.