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[Resenha] A ditadura do Big Brother, por Orwell

[Resenha] A ditadura do Big Brother, por Orwell

O potteriano que sempre gostou das Colunas do Ish agora também vai receber dicas de outros grandes livros. A nova seção de Resenhas oferece sinopses e análises de livros antigos e novos, para que você continue imerso no mundo literário, mesmo com o fim da série Harry Potter.

Nossa proposta é introduzir os diversos gêneros e autores para os pottermaníacos, compartilhando dicas e informações. Logo acima dos textos, você descobre quanto tempo se demora para ler a obra, qual a sua finalidade, se não é recomendada para você e cinco “princípios ativos” (uma espécie de tag). Além disso, o leitor do Ish poderá indicar livros para a equipe de resenhistas.

Para começar, Thiago Terenzi nos convida a saber de onde surgiu a expressão ‘Big Brother’, na obra misteriosa e política de George Orwell: “1984”. Dê uma espiadinha nessa resenha e deixe seu comentário. Boa leitura!

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tempo   Tempo: Para ler pouco a pouco em intervalos durante a semana

finalidade   Finalidade: Para pensar.

restricao   Restrição: Para quem tem dificuldades com pontos de vista alternativos.

principioativo   Princípios ativos:  1984, Distopia, George Orwell, Big Brother, comunismo.


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1984, por George Orwell

Num futuro próximo, o Estado é regido por um sistema político totalitário e as liberdades pessoais são restritas. Até que um homem se revela contra o sistema opressor e trava uma batalha na tentativa de se libertar. Este enredo parece familiar?

São muitos os filmes que tratam do assunto: “V de Vingança”, “Equilibrium”, “A Ilha”, entre outros. Livros com enredos semelhantes também existem aos montes. Guardadas algumas pequenas adaptações temáticas, pode-se dizer que essas obras integram a prateleira de um gênero conhecido como Distopia – palavra esta que, segundo a Wikipédia, pode ser compreendida como sendo a representação da antítese da utopia, ou, num bom português, retrata os lados negativos de uma sociedade idealizada. E aqui vamos falar sobre um clássico do gênero: “1984”, de George Orwell – livro este que ganhou inclusive uma versão cinematográfica lançada, claro, no ano de 1984.

O livro nos mostra um mundo em que as pessoas aparentemente vivem em harmonia, mas que, na verdade, são manipuladas pelo Estado, que consegue controlar, inclusive, o pensamento da população. A narrativa tem seu início quando um homem, Winston Smith, começa a perceber que algo parece estar errado – mas o que fazer quando ninguém mais consegue notar a farsa do sistema?

É neste clássico de Geoge Orwell que surge o personagem chamado Grande Irmão, ou, se preferir, Big Brother – sim, o mesmo que inspirou o nome daquele reality show global. O Grande Irmão, quase que onisciente, é aquele que tudo vê. Qualquer semelhança com algum Big Brother ou programa do gênero não é mera coincidência.

Mas o livro vai além inspirar reality shows pelo mundo. É extremamente indicado para quem se interessa por Política, História e também para os que flertam interesse com a Filosofia. George Orwell consegue, com maestria, criar uma trama envolvente e repleta de referências às mais diferentes áreas das ciências humanas.

É evidente, por exemplo, o paralelo que o autor faz entre a sociedade que descreve e o Socialismo Russo. Ambas as sociedades abriram mão da liberdade em prol de uma utopia que, na prática, revelou-se extremamente desumana. E ao criar um universo em que a repressão e o totalitarismo mostram-se ainda mais presentes que na própria Rússia Soviética, Orwell constrói uma crítica ferrenha não só ao comunismo, mas também a todas as formas de governo que restringem a liberdade. Como bom jornalista que era, o autor de 1984 era um crítico ferrenho das restrições à liberdade.

Tão intensas quanto o diálogo com a História, talvez sejam as referências filosóficas presentes no romance. Os leitores mais atentos não teriam dificuldades para encontrar, no livro, referências indiretas à Caverna de Platão ou à obra de Marx e seu conceito de alienação e outros tantos mais. Mas mais do que isso, o livro nos convida a uma reflexão sobre conceitos que, aparentemente, não parecem serem passíveis de questionamento. A questão mais intrigante na obra de Orwell talvez seja: o que é verdade? No livro, o conceito de verdade é extremamente relativizado. Num trecho marcante, um personagem indaga que 2+2=5. E o leitor menos convicto – méritos à impecável capacidade argumentativa do personagem – é realmente capaz de acreditar. A verdade, para George Orwell, é variável – depende dos interesses de quem está no poder.

Mas, acima de tudo – e talvez seja esta a característica responsável pelo sucesso de 1984 –, o livro é indicado para aqueles que gostam de um romance interessante e recheado de mistério e reviravoltas. Apesar de já ser considerado um clássico, sua linguagem é simples e acessível a todos – não se difere muito daquela adotada por J.K Rowling. Seu enredo, como não poderia deixar de ser, é instigante, o que transforma qualquer pausa na leitura em uma tarefa extremamente complicada. É realmente difícil parar de ler.

Resenhado por Thiago Terenzi

302 páginas, Editora Nacional, edição comemorativa publicada em 2003.
*Publicado originalmente em 1949.

Sobre o autor

16 Comentários

  1. Rildo

    Parabéns pela nova seção do ish.

    Pelo que li na resenha, parece que o livro é bom, só é uma pena que tenha inspirado um programa tão improdutivo quanto big bosta… ¬¬

    E sobre uma indicação de livro: Sidney Sheldon! Ele é o melhor pra mim depois da tia Jo. Leiam o livro Se houver amanhã e é uma boa fonte de análise sobre a corrupção do mundo em que nós vivemos hoje, e sobre como nós podemos nos posicionar contra eles, já que a Heroína do livro faz isso, apesar de quem nem tudo que ela faz, se poderia fazer na vida real, porém, é uma história que nos faz questionar a cada página virada, muita gente odeia SS, mas ele é muito bom.
    Eu realmente recomendo qualquer livro de SS!

    ;)

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  2. Matheus

    Parabéns, Ish. Ótima iniciativa. Por mais que amemos HP todo tipo de leitura é extremamente importante para a formação de seres humanos ;)

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  3. Lucas

    Sucesso, ótima iniciativa. :D

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  4. Debora Rezende

    Quem diria de onde o Big Brother saiu, ein? rs.
    Parabéns pela resenha, é muito boa!! Esse me parece o tipo de livro que um professor de filosofia tranquilamente passaria para a turma ler :D também vi a referência da Caverna de Platão. Li A República no ano passado, na minha visão há uma certa relação.
    Também concordo na parte onde a verdade é variável, tem fundamento (:
    Parabéns novamente!!

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  5. Sack

    Minha resenha *.*

    ahuahauauah

    Enfim… mas acho que o legal desse livro é que ele tem um enredo super empolgante e ‘pop’ e ao mesmo tempo fala sobre vários assuntos interessantes e deixa muita coisa pra se pensar nas entrelinhas.

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  6. andreia

    eu já li esse livro … foi para um trabalho de bioética! Tem bastantes partes interessantes que podemos, apesar de ter sido escrito á “muito tempo” essa manipulação, ditadura, sem privacidade ainda pode ser encontrada hoje em dia … querem um bom exemplo? A publicidade é um bom exemplo da manipulação das pessoas … E á algum tempo vi um documentario que era sobre um povo oriental (não me lembro se era coreia!) que as pessoas vivem totalmente numa bolha! É proibido falar com os turistas e visitantes estrangeiros para que não “façam comparaçoes entre a situação do seu país no sec XXI que é uma ditadura muito rigida”!

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  7. vaiiiiiiiiiiii

    vamos votarrrrr…no mtv apostassssss

    vai láaaaaa

    mtv.uol.com.br/apostasmtv/?cat=2

    Responder
  8. Alvo

    Tenho que ler esse livro até semana que vem, pra faculdade. hauahuahau
    Já deveria ter lido há tempos, já que é um clássico, mas pelo menos já li o outro do Orwell. Muita gente leva os livros dele apenas pelo lado da crítica ao comunismo, mas na verdade td que ele critica poderia ser aplicado ao nazismo, por exemplo, o q faz dele um crítico do autoritarismo, seja de direita ou esquerda.

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  9. Francine

    Maravilhosa resenha! Eu nunca li este livro mas fiquei realmente interessada. Eu gostaria especialmente de parabenizá-los por terem começado essa nova seção com um livro que talvez escapasse de nós leitores de fantasia… Vocês saíram do óbvio que seria indicar “O Senhor dos Anéis” (que é ótimo é claro) e isso foi fantástico. Que bom que vocês estão nos trazendo leituras inesperadas! :D

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  10. Piqui

    Adorei a nova seção. É realmente muito interessante, afinal não nos limitamos a ler só Harry Potter.

    Nunca havia ouvido falar sobre esse livro. Me pareceu muito interessante. Vou procura-lo na biblioteca.
    E, Rildo, eu adoro os livros do Sidney Sheldon. Gosto da complexidade do ser humano.

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  11. Carol G. Weasley

    Muito legal, a resenha, o livro realmente parece ser interessante! Eu o conhecia apenas de nome, foi bom ter lido um pouco mais sobre ele. ;)

    Mãããs… Eu ainda acho que essa seção nova vai dar merda. ._. #FALAY

    Primeiro porque, mesmo sendo legal ler outras coisas diferentes, o foco do Potterish é Harry Potter (juuuuuuuura? :o). Eu tenho quase certeza de que, logo, logo, o povo vai estar cada vez mais preocupado com as Resenhas, e vão esquecer as Colunas de HP (o que realmente interessa). Segundo, porque, pelo menos para mim, isso me lembra o pensamento: “Harry Potter acabou, agora vamos procurar livros diferentes para ler, porque não podemos ler HP para sempre.” Tá, que não podemos ler para sempre é verdade… mas que a série acabou, não é. Então eu acharia bem melhor um foco nas colunas, porque até mesmo as de qualidade inferior dão a impressão de HP ainda existe.Sem falar que HP tem MUITO a ser explorado, ainda. (y)

    De qualquer forma, parabéns, Thiago! :D

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  12. *Luci*

    Parabéns pela resenha! Muito bem escrita! Eu queria ler esse livro faz tempo…

    Eu discordo da Carol, acho a idéia de resenhas boa…aliás, algumas das últimas colunas já eram mini-resenhas. Nós aqui somos todos fãs de Harry Potter, mas somos muito mais também. Sou fã de chocolate, de filmes de aventura, de pijamas, de chá verde E de Harry Potter. É fácil ver que você pode amar chocolate e HP, as duas coisas coexistem e não se anulam – até é meio sem sentido comparar. Agora quando se fala que se gosta também de outro livro, pronto: você tem que escolher qual você ama mais. Como se tivéssemos uma cota limitada de sentimento de fã para distribuir, tirando de um para colocar em outro.

    Harry Potter é único, sim. Não pelo tanto de livros vendidos ou pela quantidade de bugigangas da série disponíveis ou pela bilheteria no cinema – isso tudo pode ser alcançado por outro livro no futuro, certamente será. O que o torna especial é ter mostrado a milhares de pessoas o quanto um livro pode ser legal. Muitos da “geração Harry Potter” (e me orgulho em fazer parte dela) adquiriram o hábito de ler só por ter lido HP. A descoberta de novas coisas, novos livros… tudo isso é parte da definição de um verdadeiro “fã de HP”. Nada melhor do que oficializar isso com uma sessão de resenhas. Não acho que o Ish esteja perdendo o foco com essa sessão, mas sim abarcando uma outra face dos fãs de HP.

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  13. Renan Enrique

    Esse livro é maravilhoso! Parabéns pela resenha, Thiago. Acho que deu pra explicitar pontos instigantes, sim!

    Orwell escreve 1984 tão bem que me assusta. É absurdo o modo como ele nos conduz – e em algumas partes, a narrativa se torna quase uma dissertação acadêmica! Por isso mesmo, creio eu, o livro merece todos os méritos lhe creditados.

    Recomendo sem pensar duas vezes: uma história que fala de, quem sabe, um futuro a que de fato estamos sendo conduzidos.

    A propósito, acho muito digna essa seção nova!

    Abraços!

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  14. Igor Silva

    Fico extremamente feliz de ver um projeto que eu idealizei sendo tocado por pessoas tão competentes. Sorte para todos! :cry:

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  15. su

    DICA…..Livro A Ordem é Amém de John Chelh, eu acabei de ler e achei incrivel espero que gostem!

    sinopse:
    Joseph Sulivam , um antigo corretor de imovéis , encontra na igreja a saída para seus problemas financeiros,e nessa nova trajetória , se torna pastor de mais uma igreja evangélica.Depara com situações que o levam a caminhos contrários da verdade , enganando os fiéis , e aumentando o seu patrimônio pessoal , mas DEUS tem planos para reverter essa situação.

    ele esta no site:

    http://www.seteseveneditora.com.br

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  16. Luan

    O comunismo não é uma forma de governo. E, não o sendo, também não restringe a liberdade. Baseado na obra de Marx, o comunismo não é aquilo que é chamado de comunismo ao longo da história… Nunca houve de forma duradoura ou efetiva. As experiências práticas que houve são formas distorcidas e bem distantes daquilo que seria o comunismo.
    Sendo o zênite do socialismo científico, isto é, sua fase derradeira, o comunismo não admite Estado, justamente por não admitir diferenciação social. Para isso, contudo, ter-se-ia de passar por uma fase socialista de ditadura do proletariado, durante a qual a renda seria nivelada e, posteriormente, a igualdade poderia estabelecer-se.
    No mais, a resenha ficou ótima. Também recomendo 1984. ;)

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