Nota do resenhista: Jeane Smith é uma garota popular, na internet, é claro. Seu blog sobre estilo de vida, Adorkable, já ganhou vários prêmios e, além de milhares de seguidores no Twitter, ela ainda escreve para colunas de jornais famosos e participa de conferências sobre a nova geração de jovens. Contudo, todos os seus ideais, princípios e opiniões sobre pessoas que seguem os padrões, são postos a prova quando ela conhece Michael Lee.


   Tempo: Para ler de um tiro só no final de semana.


   Finalidade: Para se divertir com o humor sarcástico de Jeane.


   Restrição: Para quem não gosta de romance jovem.


   Princípios ativos: Estilo de vida, relacionamentos, diferenças, preconceitos.



Os adoráveis, de Sarra Mannig

Jeane Smith não é uma pessoa fácil. Mas quem disse que ser contra uma sociedade careta, consumista e sem estilo seria moleza? Foi por isso que ela criou a Adorkable, mais que uma marca, é um estilo de vida. Apenas aquelas pessoas independentes, com pensamento próprio, que não tem medo de serem quem realmente são e que ainda adoram vídeos de filhotes fazendo coisas engraças, são consideradas dorks. Os outros são darks.
Mas, para infelicidade de Jeane, os darks são a maioria em qualquer lugar, exceto no seu twitter com milhares de seguidores. Na escola não seria diferente, ainda mais quando ela é frequentada por um garoto como Michael Lee. Michael é do tipo que agrada as garotas (principalmente), aos nerds, aos esportistas, aos punks e a todos os outros grupos sociais que você conseguir imaginar, usa roupas de lojas caras, anda de carro, vive com os pais e namora uma patricinha. Jeane é o oposto, com seus cabelos cinza, suas roupas espalhafatosas de brechó, seu jeito briguenta e viciada em doces Haribo, ela não agrada a absolutamente ninguém, muito menos seu namorado, Barney, que se engraçou por Scarlett, namorada de Michael.

“Você pode pensar que eu sou uma solitária aberração esquisita, mas pelo menos não tenho medo de ser quem sou.”

Agora sim, o descolado e a estranha teriam algo em comum: entraram para o grupo dos “ex”. Se bem que, no fundo, ambos não estavam satisfeitos com seus parceiros. Barney era tão “travado” que não avançava além do selinho. Scarlett era muito igual às outras garotas. Eles queriam algo diferente e, antes mesmo de procurarem, se encontraram entre os insultos e discussões afiadas que Jeane sempre iniciava em qualquer conversa. E o clichê acontece, mais uma vez a teoria da atração entre os opostos é confirmada. Michael e Jeane embarcam numa relação maluca que envolve divergências de opiniões, um pouquinho de ódio, muitos beijos e algo mais.

“O primeiro beijo foi um acaso. O segundo beijo foi, obviamente, só para ver se o primeiro beijo realmente tinha sido um acaso. Mas não havia desculpas para os beijos que vieram depois disso.”

Mas eles sabiam que tudo isso não duraria muito tempo, estava destinado a acabar desde o início. Na verdade, não devia nem ter começado. E era melhor que tivesse logo um fim, antes que toda a escola soubesse que Michael Lee e Jeane Smith estavam juntos. E, sobretudo, era melhor acabar antes que um sentimento mais forte surgisse entre as diferenças.

“Nós não correspondíamos, não éramos adequados e não andávamos juntos.”

“Os adoráveis” não é um romance meloso, mesmo que de início pareça. O humor sarcástico e a personalidade forte da protagonista são a grande sacada da trama. Jeane é a representação em exagero daqueles que se recusam a consumir os estereótipos impostos pela sociedade, que prefere expor seu verdadeiro eu, mesmo diante dos preconceitos, e percebe que ser como os outros desejam não é a melhor saída. Nesse livro, assim como em muitos outros que já li, os capítulos são alternados entre os dois protagonistas, nesse caso Jeane e Michael, o que é um ponto bastante positivo, pois uma mesma cena é interpretada de maneiras diferentes. É ai que eu percebo a genialidade da autora de, num só livro, retratar o universo interior de dois personagens tão distintos. Realmente, é um ótimo livro.

Resenhado por [Rafael Duarte]

384 páginas, Editora Novo Conceito, publicado em 2013.
*Título Original: Adorkable.